quarta-feira, 21 de maio de 2014

Principais Técnicas de Controle da Traça do Tomateiro

CONTROLE QUÍMICO
Atualmente, os inseticidas Abamectin e Cartap são mais recomendados para o controle da traça do tomateiro. As pulverizações só devem ser iniciadas quando o inseto for constatado na lavoura (BRANCO et al.  2001).
O inseticida Abamectin deve ser aplicado na lavoura com diluição de 75 ml/100L água, e o volume desta solução recomendado para aplicação na lavoura é de 500-1200 litros por hectare. O mecanismo de ação do Abamectin é ativar canais de Cl- (agonistas do GABA) (OMOTO, 2007).
Para maior eficácia do combate à praga, a pulverização deve cobrir totalmente a planta e o inseticida não deve ser aplicado mais que duas vezes durante todo o ciclo de vida da planta. A adição de 0,25% de óleo vegetal torna a solução mais eficiente (DA SILVA, 2007). Vale mencionar, contudo, que este inseticida é causa danos ao meio ambiente (classe III).

Para o inseticida Cartap a diluição recomendada é de 250g/100L, solução esta que deve ser aplicada na lavoura uma vez a cada sete dias. O Cartap bloqueia a transmissão dos impulsos nervosos e o seu principal sintoma de intoxicação é paralisia e eventual morte da larva da mariposa praga. O uso deste agrotóxico deve ser alternado com o uso de outros inseticidas de grupos químicos diferentes (com mecanismos de ação diferentes) para dificultar o surgimento de populações de T. absoluta resistentes (BRANCO et al.  2001 e DA SILVA, 2007).  Como o inseticida Abamectin, o inseticida Cartap é também considerado danoso ao meio ambiente (classe II). 

Principais Técnicas de Controle da Traça do Tomateiro

CONTROLE BIOLÓGICO
A mortalidade da traça do tomateiro é maior no estágio larval, sendo a principal causa desta mortalidade a ação de seus inimigos naturais, incluindo predadores e parasitoides (FILHO, GUIMARÃES e MOURA, 2013). Os predadores atacam todos os estágios de desenvolvimento da traça.
Sabe-se que nas fazendas produtoras de frutas, hortaliças e leguminosas, os prejuízos anuais com a predação desses vegetais são elevados. Além dos insetos pragas, em áreas mais afastadas das cidades onde ainda restam animais silvestres, os prejuízos podem ser ainda maiores. Aves como marrecos, sanhaços e chupim, e mamíferos como esquilos, coelhos, ratos, morcegos, capivaras e cervos são conhecidos como as maiores pragas da lavoura do tomate, devorando desde o broto até fruto. Para diminuir o impacto destas pragas sobre suas lavouras, os produtores adotam medidas de controle, tal como o controle biológico. Uma forma de controle biológico comumente utilizada é a falcoaria, que afasta aves e pequenos mamíferos (PICANÇO, 2010).
Alguns agricultores têm usado ainda aves da espécie Pitangus sulphuratus (Passeriformes: Tyrannidae), popularmente conhecida como bem-te-vi. Por ter hábito alimentar generalista, o bem-te-vi se alimenta da maioria dos insetos que atacam o tomateiro. Muito ágil, este pássaro pode capturar insetos em pleno voo, mas é mais comum observá-lo capturando insetos pousados em ramos (FERNANDES et al. 2011).
Dentre os insetos predadores do tomateiro, podemos destacar os percevejos pertencentes às espécies Orius sp., Lasiochilus sp., e Xylocoris sp. (Heteroptera: Anthocoridae), Annona bimaculata e Hyaliodocoris insignis (Heteroptera: Miridae), os quais atacam ovos e lagartas de primeiro instar. Já os vespídeos Protonectarina sylveirae e Brachygastra lecheguana atacam as lagartas de segundo e terceiro instares (FILHO, GUIMARÃES e MOURA, 2013). Devido a sua habilidade de abrir as minas da traça nas folhas do tomateiro à procura das lagartas, as vespas constituem o grupo mais importante de predadores de lagartas da traça do tomateiro.
A ação combinada dos predadores pode ser responsável por até 99,5% de mortalidade da praga T. absoluta no seu estágio larval, enquanto a inviabilidade é tida como o principal fator de mortalidade no estágio de ovo (FILHO, GUIMARÃES e MOURA, 2013).
Entre os parasitoides, a espécie Trichogramma pretiosum (Hymenoptera: Trichogrammatidae) é especialista em localizar e atacar ovos. Dessa forma, esta microvespa controla a população de T. absoluta nas lavouras de tomate. Ao localizar a praga na cultura, as vespinhas depositam seus ovos dentro do ovo da mariposa. Ovos parasitados por T. pretiosum não produzem larvas, as quais causam importantes danos econômicos a esta cultura. Em poucos dias, uma nova vespa adulta eclode do ovo parasitado. Esta espécie de micro vespa pode assim se disseminar na lavoura e efetivamente controlar a população da mariposa T. absoluta (PROMIP e MAGALHÃES, 2012).

Esses tricogramatídeos apresentam ampla distribuição geográfica, parasitam grande número de hospedeiros, e são altamente especializados e eficientes. Este grupo de micro hymenópteros é utilizado com sucesso em vários programas de controle biológico para controle da traça do tomateiro (FARIA et al.  2000; PRATISSOLI e PARRA 2001).
Figura 5: Foto mostrando uma fêmea de Trichogramma pretiosum depositando ovos em um ovo de inseto hospedeiro
http://www.nbaii.res.in/Introductions/images/Tpretios1.jpg
 Como outra forma de controle biológico da traça do tomateiro, o uso de inseticidas a base do Bacillus Thuringiensis também vem sendo utilizado com muita frequência. Este método mostra alta eficiência no controle dos primeiros instares da praga (FILHO, GUIMARÃES e MOURA, 2013). O uso deste tipo de inseticida pode também ser empregado em conjunção com a liberação do parasitoide Trichogramma pretiosum (HAJI et al. 1995). Contudo, o emprego contínuo de B. thuringiensis associado à liberação de parasitoides pode selecionar populações resistentes. Para solucionar este problema, tem sido recomendado a rotação de B. thuringiensis e o emprego de inseticidas com alta seletividade com relação ao parasitoide (VILLAS BOAS et al., 2009).
Já os parasitoides larvais tendem a atacar lagartas de terceiro e quarto instares. Dentre as espécies de parasitoides larvais que atacam a praga T. absoluta, podemos destacar as espécies de braconídeos Bracon sp., Earinus sp. e Conura sp. Pelo menos cinco espécies de parasitoides e 12 espécies de predadores atacam pupas de T. absoluta (FILHO, GUIMARÃES e MOURA, 2013). 

Pragas do Tomateiro

BROCA PEQUENA  

A broca pequena do tomateiro (Neoleucinodes elegantalis; Lepidoptera: Crambidae) é uma mariposa de 2,5 cm de envergadura, coloração branca, e asas transparentes. Os ovos são colocados de forma agrupada nos frutos e nas flores. As lagartas possuem até 1,3mm de comprimento, e são esbranquiçadas nos primeiros instares e rosadas no último instar. Ao eclodirem, as lagartas penetram nos frutos. A perfuração no fruto provocada pela larva cicatriza-se com o tempo. O broqueamento dos frutos inviabiliza sua comercialização (PICANÇO, 2010).
Figura 4: (A) Mariposa Neoleucinodes elegantalis; (B) Larva de Neoleucinodes elegantalis se alimentando da polpa do fruto. 


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http://www.eppo.int/QUARANTINE/Alert_List/insects/pictures/NEOLEL_damage.jpg 

Pragas do Tomateiro

MOSCA BRANCA
A mosca branca (Aleyrodidae: Bemisia tabaci) é também uma das principais pragas do tomate industrial, devido ao seu grande potencial de causar danos. Esta mosca suga a seiva e transmite viroses (geminiviroses) no início da cultura do tomate. Neste processo, toxinas são injetadas nas plantas, o que leva ao amadurecimento irregular dos frutos, dificulta o reconhecimento do ponto de colheita, e torna a parte interna dos frutos esbranquiçada (FERNANDES, 2009).
Normalmente, as fêmeas de B. tabaci colocam entre 100-300 ovos ao longo da vida. Em situações de escassez de alimento, as fêmeas interrompem a postura. Estudos recentes mostraram que fêmeas em situação de estresse, como aquela causada pela exposição a agrotóxicos, depositam maiores quantidades de ovos e com razão sexual tendendo para maior número de fêmeas. A longevidade do inseto depende da alimentação e da temperatura. O macho tem vida que varia entre de 9 a 17 dias e as fêmeas vivem em média 62 dias (CARVALHO e PAGLIUCA, 2007). 
Dentre outros danos indiretos causados ao tomateiro pela mosca branca, podemos citar a excreção de substâncias açucaradas, as quais cobrem as folhas e servem de substrato para fungos. Como consequência, o processo de fotossíntese é afetado, podendo ocorrer redução na produção e qualidade dos frutos (CARVALHO e PAGLIUCA, 2007).
Para a redução dos impactos ao cultivo do tomate causados pela mosca branca, os produtores atualmente utilizam exclusivamente inseticidas, os quais mostram eficiência reduzida. Neste caso, alternativas de controle (Manejo Integrado de Pragas) devem ser buscadas. Dentre estas técnicas alternativas de monitoramento e controle da mosca branca, pode-se citar o uso de armadilhas amarelas, que atraem adultos, os quais ficam ali aprisionados. Estas armadilhas devem ser dispostas ao redor da área de plantio e podem ser utilizadas cartolinas de coloração amarela, untadas com óleo vegetal ou mineral (BÔAS, 2009).

No momento não existem resultados de pesquisa no Brasil que comprovem a efetividade de parasitoides, predadores e patógenos no controle da mosca-branca em campo. No entanto, várias espécies de inimigos naturais estão presentes nas lavouras e exercem um controle auxiliar e silencioso da praga (BÔAS, 2009).
Figura 3: Mosca branca (Bemisia tabaci) adulta (A) e ovos da mosca branca (B).


http://www.agrolink.com.br/agromidias/problemas/g/Bemisia_tabaci106.jpg
http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Tomate/TomateIndustrial_2ed/Image86.jpg 

Pragas do Tomateiro

TRAÇA DO TOMATEIRO
A traça do tomateiro é uma mariposa (Lepidoptera: Gelechiidae) da espécie Tuta absoluta, sendo considerada uma das principais pragas do tomateiro. Foi constatada, pela primeira vez no Brasil, em outubro de 1980 (NETO et al. 2010). O ciclo biológico da praga, do ovo até a morte dos adultos, varia entre 26 e 38 dias. (MEDEIROS, SUJII e MORAIS, 2011)
Os adultos são pequenas mariposas acinzentadas. Os ovos são depositados ao longo das nervuras dos folíolos, tanto a superfície superior como inferior, nos brotos terminais, nas hastes, no cálice das flores, e nos frutos do tomateiro (FILHO, GUIMARÃES e MOURA, 2013). A fase de ovo dura entre três e seis dias (MEDEIROS, SUJII e MORAIS, 2011).
As lagartas se alimentam do parênquima foliar formando assim galerias transparentes ou minas. As lagartas podem também atacar o caule, as hastes, e os ponteiros (meristema apical), causando surgimento de brotações laterais, as quais por sua vez atrasam o desenvolvimento das plantas e a perda de frutos. Em altas infestações, esta praga pode destruir completamente as folhas do tomateiro e causar o secamento dos folíolos e a morte da planta (MEDEIROS, 2009).
Nas plantações de tomate que estão infestadas é comum observar simultaneamente indivíduos pertencentes a diferentes estágios (FIILHO, GUIMARÃES e MOURA, 2013).
 Figura 2: (A) Mariposa adulta da Tuta absoluta; (B) Ovos; (C) Fase larval; (D) Pupa.
http://www.diadecampo.com.br/arquivos/image_bank/especiais/Alexandre_Pinho_de_Moura_6_DENTRO_20121029105949.jpg

O tomate e seu cultivo.

O tomate é uma planta da ordem solanales (Solanaceae: Lycopersicon esculeutum) originária da América do Sul, mais especificamente do Peru, Bolívia e Equador. A introdução do tomate na Europa foi feita pelos espanhóis no início do século XVI. Hoje, esta cultura está espalhada por todo o mundo. O tomate começou a ter relevância mundial a partir de 1900 (DA SILVA 2000.) No Brasil, praticamente todos os estados cultivam o tomateiro, mas sua produção destaca-se nas regiões sudeste e centro-oeste, especialmente nos estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais. O período de plantio é peculiar a cada região geográfica, em função das condições climáticas (DOS SANTOS, 2009).
Inicialmente, o tomateiro era cultivado apenas como planta ornamental, pois seus frutos eram considerados venenosos, devido a sua cor avermelhada, intimamente relacionada à época, com perigo e morte. Sabe-se hoje que o tomate contém um alcalóide, a tomatina, que se encontra em elevada concentrações nas folhas e nos frutos verdes e que se degrada em componentes inertes nos frutos maduros (SANTOS, 2010).

Hoje, várias espécies de tomate são cultivadas tanto em regiões tropicais quanto em regiões subtropicais ao redor do globo, tanto para consumo in natura como para a indústria de processamento, através do cultivo rasteiro. É a segunda hortaliça mais cultivada no mundo, superada apenas pela batata (CARVALHO e PAGLIUCA, 2007; AIDAR, 2014.).
Tabela 1: Produção e a área utilizada para o plantio de tomate no Brasil entre 2000-2012. (AIDAR, 2014).

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O que é o MIP?

"MIP - Manejo Integrado de Pragas - é o sistema de manejo de pragas que no contexto, associa o ambiente e a dinâmica populacional da espécie. Utiliza todas as técnicas apropriadas e métodos de forma tão compatível quanto possível e mantém a população da praga em níveis abaixo daqueles capazes de causar dano econômico" (EMBRAPA, 2006)